| Relatos de inércia, mãos atadas e vistas grossas |
|
|
|
|
Vivemos um novo tempo. O da incerteza. Modificamos tanto nosso habitat que estamos perdendo o controle sobre ele. Não sabemos qual, como, nem quando a natureza poderá nos trazer uma nova surpresa. Mas sabemos. Elas virão. Temos quanto tempo pra cuidar a tempo da loucura do tempo e diminuir os contratempos causados pelas mudanças climáticas? Ainda há tempo? O que fazer? Para uns, “Se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come.” Outros acreditam que “Tem que enfrentar a fera.” Mas tem também os que ficam, que correm ou que amansam o bicho. Não são novos, nem recentes, os anúncios do meio ambiente sobre em que resultaria a continuidade das ações predadoras dos seres humanos sobre o planeta. Gostaríamos muito que as últimas e constantes catástrofes naturais fossem apenas naturais e não resultado da ação sangrenta dos homens. “Tudo sempre muito natural e justificável do ponto de vista do desenvolvimento desigual da espécie humana.”, dizem alguns. Será? E o bom senso onde andou este tempo todo? Somos, na maioria, cegos e insensíveis aos sofrimentos acometidos ao nosso planeta e aos seres vivos que nele habitam. Inclusive a outros seres humanos. Não existem apenas as ambições imperialistas de governantes, mas também egoístas, e tão perigosas, as pessoais e individualistas que defendem sempre o melhor pra si em detrimento de muitos. O certo é que: O clima mudou, a vida mudou, o ritmo mudou, os ciclos de chuvas mudaram, os costumes mudaram. Só ainda não sabemos pra onde. Onde vai dar tudo isso. Qual será a estação final dessa história? Ou será uma história sem fim? A miscelânea dos avanços da tecnologia com a globalização e “internetização” das relações formais e informais, pessoais e oficiais, legais e ilegais, nos leva a um túnel sem luz no fim. Ou será apenas desesperança com a humana raça, que em forma de troça, mas, parecendo fazer pirraça, constrói a própria desgraça. Tanto céticos quanto otimistas sabem que as expectativas não são as melhores. Até porque, os danos, agressões, irresponsabilidades, ignorância e ganância com os bens naturais continuam sem cessar. Tal qual abutres, que arrancam pedaços da presa ainda viva, sob olhar complacente, e impiedoso, dos transeuntes alhures. Não temos ainda como medir quanto tempo a despensa e a cisterna ainda vão suprir a vida terrestre. Existem apenas projeções, estudos, estatísticas, chutes, teorias e previsões. Apenas previsões que podem ou não se concretizar ou acontecer em época e de forma diferente da prevista por técnicos, teóricos e profetas de plantão. Mas, o cenário do futuro, depende das pinceladas que dermos agora nesse painel em reconstrução. E depende da união de todas as mãos. Muitas, e boas iniciativas, surgem a todo momento, mas ainda é pouco diante do imenso rombo que causamos nas reservas do planeta. É até pagarmos os juros e correções monetárias para o banco da sustentabilidade ainda vai levar muito tempo de água passando por baixo da ponte. O impacto dos ferimentos que secularmente garimpamos nas ricas jazidas de minério, ouro e outras riquezas pros bolsos de poucos. Matéria prima pra produção de riqueza, beleza e destruição; As marcas desérticas que deixam os rios secos em registros sombrios de passagens destrutivas de exploradores do ambiente que, tal qual vampiros ignorantes e ensandecidos, sugam até secar os leitos dágua e deixam sem vida, o regato e também a vida que aquelas veias proviam; Os ácidos e corrosivos ares poluídos, que com suas fuligens malignas levadas longe pelos ventos tiram o fôlego de muitos; As queimas indevidas de matérias orgânicas ou sintéticamente concebidas; As chagas abertas na terra construindo um infinito de erosões e assoreamentos; A falta de ar pelo raleamento das florestas e a extinção de espécies da fauna e da flora vítimas dos insanos desmates;... São tantos os exemplos, os motivos, as evidências. Será que não está na hora de acordar? Hora de recomeçar e atentar para tudo que pudermos tentar, sem esperar, para melhorar e continuar a vida no nosso planeta azul. Solidariedade é um bom começo. A construção da paz e a defesa das liberdades também.
|









